“Ele saiu com liberdade provisória.” A frase traz alívio, mas também dúvidas: o processo continua? Quais são as obrigações? Ele pode voltar a ser preso?

Neste guia, explico como funciona a liberdade provisória, suas modalidades e os cuidados para não perdê-la.

O que é liberdade provisória

A liberdade provisória é a decisão que permite à pessoa presa em flagrante responder ao processo em liberdade, quando a prisão foi legal mas não é necessária mantê-la (art. 310, III, e art. 321 do CPP). É “provisória” porque fica condicionada ao cumprimento das obrigações impostas e pode ser revista se surgirem fatos novos.

Ela é diferente do relaxamento da prisão, que ocorre quando a prisão foi ilegal, e da revogação da preventiva, que ocorre quando já havia uma prisão preventiva decretada.

Com fiança, sem fiança ou com medidas cautelares

ModalidadeComo funciona
Sem fiança e sem condiçõesA pessoa é solta apenas com o compromisso de comparecer aos atos do processo
Com fiançaA soltura depende do pagamento de um valor como garantia (veja fiança criminal)
Com medidas cautelaresA soltura vem acompanhada de obrigações do art. 319 do CPP, como comparecimento periódico em juízo, proibição de contato com determinadas pessoas, recolhimento noturno ou tornozeleira
Sem fiança por impossibilidade de pagarQuando o acusado não tem condições econômicas, o juiz pode dispensar a fiança e impor outras obrigações (art. 350 do CPP)
Modalidades de liberdade provisória.

Quando o juiz concede

A liberdade é a regra e a prisão antes da condenação é a exceção. O juiz deve conceder a liberdade provisória sempre que não estiverem presentes os requisitos da prisão preventiva ou quando medidas cautelares forem suficientes (art. 282, § 6º). Pesam a favor:

Desde a Lei 15.272/2025, o art. 310, § 5º, lista circunstâncias que, ao contrário, recomendam a conversão em preventiva, como reiteração de crimes e processos em curso. Por isso, a defesa precisa demonstrar com documentos que essas circunstâncias não estão presentes ou não indicam risco real.

Liberdade provisória pode ser revogada? Posso voltar para a cadeia?

Sim. Se a pessoa descumprir as obrigações impostas, o juiz pode substituir a medida, impor outra em cumulação ou, em último caso, decretar a prisão preventiva (art. 282, § 4º, e art. 312, § 1º). Fatos novos que demonstrem risco também podem levar à prisão. Os cuidados mais importantes são:

Liberdade provisória em crime inafiançável

Mesmo nos crimes inafiançáveis, como tráfico de drogas e crimes hediondos, o STF admite a liberdade provisória sem fiança quando não há motivo concreto para a prisão. O que a lei proíbe é a fiança, não a liberdade.

Defesa técnica

Pedido de liberdade provisória

Preparamos o pedido de liberdade provisória com documentos que demonstram a ausência de risco e acompanhamos o cumprimento das condições.

Falar com o Dr. Rafael Nunes

Perguntas frequentes

O que é liberdade provisória?

É a decisão que permite à pessoa presa em flagrante responder ao processo em liberdade quando a prisão foi legal, mas não é necessária. Pode vir com ou sem fiança e com medidas cautelares.

Liberdade provisória significa que o processo acabou?

Não. O processo continua normalmente, e a pessoa deve comparecer aos atos e cumprir as condições impostas.

Quem está em liberdade provisória pode voltar para a cadeia?

Sim, se descumprir as obrigações impostas ou se surgirem fatos novos que demonstrem risco concreto. Nesse caso, o juiz pode decretar a prisão preventiva.

Cabe liberdade provisória em crime inafiançável?

Sim. O STF admite liberdade provisória sem fiança mesmo em crimes inafiançáveis, quando não há motivo concreto para a prisão preventiva.

Conteúdo informativo, elaborado por Rafael Nunes, advogado criminalista (OAB/BA 65.218), com base na legislação e na jurisprudência vigentes em novembro de 2026. Não substitui a análise técnica do caso concreto e não constitui promessa de resultado.